ser quieto – e daí?

O cenário

As Organizações estão vivendo um ambiente expansivo, extrovertido, ligado e plugado, o que tende a favorecer pessoas extrovertidas e, naturalmente, complica a vida dos introvertidos.

Em particular, na hora de ocupar funções de gestão, nota-se preferência para pessoas ousadas em detrimento de pessoas contidas (Estudo realizado pela Career Builder).

Será que isso faz sentido?

A crescente busca de artes marciais como Yoga, Tai Chi Cuan, com seu foco em equilíbrio mental físico, emocional e espiritual, é uma prova de como esse barulho todo afeta a qualidade de vida do profissional e, com isso, a carreira individual e corporativa.

Organizações de vanguarda reconhecem que o exercício “eu com eu” favorece os resultados pessoais  e, consequentemente, os corporativos.

Segundo um estudo realizado pela professora da UCLA Anderson School of Management, Corinne Bendersky, observa-se um avanço das pessoas mais “quietas” para os trabalhos em equipe, projetos de engajamento e até liderança.

Qual é o plus dos mais quietos?

O quieto tende a questionar para resolver questões e problemas de forma mais inusitada; o barulho dissipa a persistência, o que faz as pessoas desistirem mais facilmente; “foco é tudo, dispersão é nada”, diz um Anônimo – o quieto segue este mandamento.

O quieto tende a pensar antes(!) de expor ideias para resolver problemas de forma mais assertiva. As únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as perguntas” (Susan Sontag)

O quieto tende a persistir, aplicando reflexão e calma. Albert Einstein, um introvertido notório, disse: “Não é que eu seja muito inteligente; é que eu fico nos problemas por muito tempo”.

O quieto tende a agir de forma tranquila, avaliando as circunstâncias e pesando os risco. Cerca de 40% de uma decisão se baseia em fatos, provas e oportunidades; 60% dependem do grau de compreensão, confiança e empatia com a pessoa ou a ideia em questão.” (Juliet Erickson e Robert Cialdini).

O quieto tende a trabalhar duro em prol da sua equipe, o que acaba sendo valorizado pelos membros, ou até pelos liderados: “Não há melhor pregador que a formiga, que nada diz” (Benjamin Franklin), mas faz(!).

O que as Organizações deveriam fazer?

1 – Em processos de seleção, em particular em dinâmicas de grupo, o introvertido pode se sentir inibido para expressar livremente suas opiniões e ideias; abrir espaço para uma entrevista individual pode ser uma opção para que o introvertido possa mostrar até uma articulação mais clara e assertiva em comparação com o extrovertido.

2 – Experimentar as dicas de Susan Cain, autora do bestseller “O poder dos quietos: como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar”, tais como:

- Reconhecer que os introvertidos tendem a pensar de forma mais complexa e  a ter grande capacidade de concentração;

- Não sufocar os talentos peculiares dos introvertidos antes que tenham tido tempo para florescer; a reflexão é um ingrediente fundamental para que um profissional use a criatividade e abrace o risco;

- Valorizar a capacidade de trabalhar de forma independente, uma vantagem  tanto em áreas criativas como racionais.

3 – Em reuniões, permitir ao recatado expressar suas ideias sem interrupções ou dar um tempo depois da reunião para melhor aproveitar suas ideias.

4 – Com relação à promoção, levar em consideração que o introvertido pode ser um grande líder pela sua inclinação de ouvir “direito” o outro. Uuma pesquisa de Jim Collins (o mais influente pensador de management da atualidade) mostra “a surpresa da introversão”: analisando empresas com melhor desempenho no mundo, ele descobriu que elas são conduzidas por líderes discretos e comedidos.

5 – Diferenciar entre ambientes de trabalho mais propícios para os introvertidos; o introvertido tende a se sair bem, ou até melhor, em funções  analíticas como Gestão Humana, Engenharia, Tecnologia e Comunicação, Produção.

6 – Uma boa gestão de pessoas é capaz de atuar de forma personalizada com cada perfil de profissional, sempre visando o desenvolvimento do colaborador e, consequentemente, o sucesso da Organização.

Enfim, criar um Modelo de Gestão Empresarial onde os gestores sejam integradores, dando espaço para que o introvertido possa desenvolver o seu potencial produtivo.

O que o Profissional deveria fazer? 

- Atrelar competência ao autoconhecimento de seus pontos fortes e autoconfiança na hora de transformá-los em ação e resultado; com a introspecção você pode melhorar a sua produtividade;

- Preservar o silêncio: 30 minutos/dia – desligando celular, etc.

- Fazer networking e marketing pessoal para se fazer percebido como colega e profissional de valor.

Muito importante: Lembre-se de Introvertidos de sucesso!!!

A Revista Forbes traçou uma lista dos 13 introvertidos mais famosos do mundo. Para quem acredita que a sua carreira está fadada ao fracasso, esse ranking pode funcionar como estímulo para alavancar a vida profissional – veja só:

  • Al Gore – descrito pela Revista TIME como “um homem de negócios que partiu para mudar o mundo”
  • Albert Einstein – físico e autor da Teoria da Relatividade
  • Frederic Chopin – compositor franco-polonês do século XIX
  • J. K. Rowling – autora da saga “Harry Potter”
  • Larry Page – cofundador do Google
  • Steve Wozniak – cofundador da Apple
  • Steven Spielberg – diretor e produtor cinematográfico

Outros veículos destacam visionários como Barak Obama e Bill Gates.

Os extrovertidos que se cuidem!

Barulho não prova nada. Uma galinha bota um ovo e cacareja como se estivesse botado um asteroide…(Mark Twain)  

Ser quieto – atrapalha ou ajuda? – Depende!!!

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